domingo, junho 20, 2010
quinta-feira, junho 17, 2010
Confissões de uma jovem rapariga
(...) E foi então que em busca de um remédio inverso, e porque não tinha a coragem de querer o genuíno, que estava tão perto, e, infelizmente, tão longe de mim, em mim mesma, novamente me entreguei aos prazeres culpáveis, crendo reanimar assim a chama extinta pelo mundo. Em vão. Retida pelo prazer de agradar, adiava dia a dia a decisão definitiva, a escolha, o acto verdadeiramente livre, a opção pela solidão. Eu não renunciava a nenhum desses vícios em prol de outro. Misturava-os. Que digo? Cada um encarregava-se de esmagar todos os obstáculos do pensamento e do sentimento que teriam contido o outro, aliciando-se mutuamente. Cursava o mundo para me acalmar depois de uma falta e cometia outra logo que sossegava. Foi nesse terrível momento, depois da inocência perdida, e antes do arrependimento de hoje, que fui a mais apreciada entre todos, nesse momento em que, de todos os momentos da minha vida, tive menos valor. Julgavam-me uma rapriguinha pretensiosa e tresloucada; agora, pelo contrário, as cinzas da minha imaginação estavam ao gosto do mundo, que nela se deliciava. Depois do suicídio do meu pensamento, a minha inteligência era admirada, o meu espírito exultado. A minha imaginação dissecada, a minha sensabilidade estancada, eram suficientes à sede dos mais àvidos de vida espiritual, dado o teor factício dessa sede, tão fraudulenta quanto a fonte onde acreditavam saciá-la (...)
[Marcel Proust]
quarta-feira, junho 16, 2010
Breathe in. Breathe out.
É uma estrada gigante.
E eu sem desejar seguir em frente. Demasiado violento, como se me metessem uma sala escura pintada de preto sem portas e janelas. E eu como que claustrofóbica naquilo tudo, com o coração a mil à hora, com os joelhos a tremer e o estômago às voltas. As lágrimas mesmo mesmo à beira dos olhos. Fico quieta, muito quieta, quase a desejar não respirar, não existir, nunca mais abrir os olhos.
Sem acreditar um único segundo num simples gesto, num simples som de uma porta a abrir-se.
Em qualquer lado excepto ali. Qualquer lado mesmo.
É traição. A dor de uma traição. Para mim acção sem crença é traição.
Não sei mentir (excepto num ou outro assunto).
Não sei trair.
Por isso abro os olhos, inspiro fundo e escolho outra estrada.
E eu sem desejar seguir em frente. Demasiado violento, como se me metessem uma sala escura pintada de preto sem portas e janelas. E eu como que claustrofóbica naquilo tudo, com o coração a mil à hora, com os joelhos a tremer e o estômago às voltas. As lágrimas mesmo mesmo à beira dos olhos. Fico quieta, muito quieta, quase a desejar não respirar, não existir, nunca mais abrir os olhos.
Sem acreditar um único segundo num simples gesto, num simples som de uma porta a abrir-se.
Em qualquer lado excepto ali. Qualquer lado mesmo.
É traição. A dor de uma traição. Para mim acção sem crença é traição.
Não sei mentir (excepto num ou outro assunto).
Não sei trair.
Por isso abro os olhos, inspiro fundo e escolho outra estrada.
segunda-feira, junho 14, 2010
(This is not a) Love song
I am the key to the lock in your houseThat keeps your toys in the basement
And if you'll get too far inside
You'll only see my reflection.
[Radiohead]
sábado, junho 12, 2010
quarta-feira, junho 09, 2010
Tempo(s)
Já viste?
E podíamos estar juntos agora. Até está a chover e tudo. Todo aquele espírito muito cinematográfico da chuva e do romantismo e por aí fora. Mas podíamos, já viste?
Ou podíamos nem estar juntos. Mas podíamos desejar estar juntos.
E já imaginaste?
Podíamos abrir uma garrafa de vinho. Podíamos ver filmes. Podias-me ensinar muita coisa. Podias discutir comigo e eu contigo e sempre sem chegar a nenhuma conclusão. Podia ter acontecido tanta se eu tivesse deixado, se tu tivesses querido, se tu e eu não fossemos teimosos, se a vida não fosse toda ela uma questão de timings certos e incertos.
Já viste?
Podia ter dado tudo tão certo e no entanto nem certo nem errado. Não dá em nada. Nem vai dar em nada.
Já viste?
Pois é.
E podíamos estar juntos agora. Até está a chover e tudo. Todo aquele espírito muito cinematográfico da chuva e do romantismo e por aí fora. Mas podíamos, já viste?
Ou podíamos nem estar juntos. Mas podíamos desejar estar juntos.
E já imaginaste?
Podíamos abrir uma garrafa de vinho. Podíamos ver filmes. Podias-me ensinar muita coisa. Podias discutir comigo e eu contigo e sempre sem chegar a nenhuma conclusão. Podia ter acontecido tanta se eu tivesse deixado, se tu tivesses querido, se tu e eu não fossemos teimosos, se a vida não fosse toda ela uma questão de timings certos e incertos.
Já viste?
Podia ter dado tudo tão certo e no entanto nem certo nem errado. Não dá em nada. Nem vai dar em nada.
Já viste?
Pois é.
sábado, junho 05, 2010
quarta-feira, junho 02, 2010
Fairy limão.
Acho que penso demais. Raciocino e pondero todas as hipóteses, benefícios, falhas, possibilidade de erros. Na prática, acabo por fazer sempre exactamente o contrário daquilo que estava a pensar. Vou com o impulso, com o instinto, sigo o que o meu coração (ou outra parte qualquer do sub-consciente) me diz para fazer. Ou então precisamente o contrário.
Acendo um cigarro no fogão. Vejo os bichinhos à volta da luz frágil da cozinha.
Sinto-me como se estivesse a flutuar algures por entre o perfume da brisa quente (de onde saiu isto?).
Penso de repente na Cinderela. Se a carruagem não se tivesse transformado numa abóbora à meia-noite? Se não tivesse havido carruagem sequer, mas uma limousine branca com duas garrafas de Moet&Chandon para beber a meias com o príncipe? E se a Branca de Neve tivesse acordado por ela própria, arranjado um emprego...?
O Dmitry costumava dizer para deixarmos de lado todos os livros de teatro e sobre teatro e lermos histórias. Na altura revolvi o meu baú e pus na estante todos os meus livros de criança. O polegarzinho, o barba azul, o gato das botas...
Ela. Ela era assim. E eu também fui assim há tempos atras.
E hoje está uma linda noite... e o cigarro sabe-me pela vida... e se pudesse tocava à tua camapainha agora, na esperança de me abrires a porta. Tudo isto só para veres que estou a sorrir.
Acendo um cigarro no fogão. Vejo os bichinhos à volta da luz frágil da cozinha.
Sinto-me como se estivesse a flutuar algures por entre o perfume da brisa quente (de onde saiu isto?).
Penso de repente na Cinderela. Se a carruagem não se tivesse transformado numa abóbora à meia-noite? Se não tivesse havido carruagem sequer, mas uma limousine branca com duas garrafas de Moet&Chandon para beber a meias com o príncipe? E se a Branca de Neve tivesse acordado por ela própria, arranjado um emprego...?
O Dmitry costumava dizer para deixarmos de lado todos os livros de teatro e sobre teatro e lermos histórias. Na altura revolvi o meu baú e pus na estante todos os meus livros de criança. O polegarzinho, o barba azul, o gato das botas...
Ela. Ela era assim. E eu também fui assim há tempos atras.
E hoje está uma linda noite... e o cigarro sabe-me pela vida... e se pudesse tocava à tua camapainha agora, na esperança de me abrires a porta. Tudo isto só para veres que estou a sorrir.
terça-feira, junho 01, 2010
Fairy framboesa
E mais do mesmo.
Um copo de vinho tinto, as torradas com queijo.
Os cigarros.
O cinzeiro cheio.
O Tempo reencontrado.
O leveza de conversas temperadas com metáforas e ironias de meia-noite.
Está calor esta noite, não está?
Albertine, Françoise, Swann...
I could have danced all night and still have begged for more...
-Tens um bigode tinto. -Pois tenho.
I only know when he...
Deu-me de repente uma vontade de voar, voar muito alto.
E se eu fosse realmente uma gaivota?
O delirio.
O silêncio.
E o meu vinho e o meu cinzeiro sempre cheio.
Um copo de vinho tinto, as torradas com queijo.
Os cigarros.
O cinzeiro cheio.
O Tempo reencontrado.
O leveza de conversas temperadas com metáforas e ironias de meia-noite.
Está calor esta noite, não está?
Albertine, Françoise, Swann...
I could have danced all night and still have begged for more...
-Tens um bigode tinto. -Pois tenho.
I only know when he...
Deu-me de repente uma vontade de voar, voar muito alto.
E se eu fosse realmente uma gaivota?
O delirio.
O silêncio.
E o meu vinho e o meu cinzeiro sempre cheio.
segunda-feira, maio 31, 2010
Sex and no city
Quando me deitei era uma da manhã.São duas e quarenta e cinco e não consigo dormir. Algo me diz que o calor vai voltar.
Fico a pensar no que me tem entrado no cérebro recentemente. Coisas muito pouco minhas, mas, no entando, balas para a minha cabeça. Temporadas da Carrie Bradshaw, uma série experimental russa sobre a juventude, dois romances de Richard Yates e um par de Dry Martinis com a típica azeitona.
Não consigo evitar. Acabo por analisar a minha vida, a vida à minha volta, a minha geração, as relações humanas. Será normal ver pessoas à minha volta que, nos seus tenros dezasseis anos, se associam aos problemas de mulheres com mais de trinta? Será natural para nós, ainda que criados num ambiente tão próximo do mediterrâneo onde, segundo a literatura mundial, o carácter é tão forte e os sentimentos passeiam à flor da pele, estarmo-nos a tornar tão cépticos e calculistas e banais? Será possível termos extinto para nós as reacções naturais ao sentimento? Termos simplificado as emoções? Ou pura e simplesmente as coisas avançaram para toda uma nova dimensão, um nível avançado que eu não consigo atingir?
Eu sei jogar jogos. Até sei inventar regras para mim própria. Sei sair de jogo, sei apostar alto. Só nunca aprendi a perder, porque nunca precisei. Nunca uma aposta incluiu algo que me pudesse, eventualmente, magoar.
Mas quando se aproxima a hipótese da pessoa à minha frente não estar a jogar, mas abrir-me o jogo sem esconder nada. Aí sim eu saio. Fujo a sete pés. E porque é que isto acontece?
Eu detesto jogos. Abomino-os. Tenho uma paixão pela intensidade do real.
Mas este pensamento ultrapassa-me sempre o crânio de uma ponta à outra e faz-me fugir: Aquilo que eu encaro como real, ainda existe? Ou é apenas outro jogo que eu não sei jogar?
Tell me, where's the shepherd for this lost lamb?
quarta-feira, maio 12, 2010
Repeat.
Porque é que eu insisto em cometer os mesmos erros, nas mesmas circunstâncias e até com as mesmas pessoas? Sempre pensando que "desta vez não vai ser assim"?
Porquê? Han?
Porquê? Han?
segunda-feira, maio 10, 2010
terça-feira, maio 04, 2010
domingo, maio 02, 2010
childish and foolish
sim, às vezes comporto-me como uma criança e faço choradinho cá dentro quando não tenho o que quero e irrita-me bastante fazer a birra interior e não me ligarem nenhuma. e magoa-me quando as coisas são assim. vazias, inúteis, insensíveis. eu também já fui assim. mencionei pessoas no meu blog com palavras de memórias carregadas de significado, mas sem dar uma única hipótese de uma segunda tentativa. eu por acaso acho bonito. mais vale ser umas palavras com significado do que não ser nada. é a minha maneira de ver as coisas. e o amor é aquela coisa esquisita. eu não posso dizer que amo. nem que não amo. se eu fosse filosofa ou coisa assim, poderia inventar metáforas incontáveis, mas não sou. nem gosto de fórmulas correctas. o ser humano não é assim tão complicado mas também não é básico ao ponto de ser rotulado. eu gostava de nós como nos imaginava. simples mas verdadeiros sendo tu como és e eu como sou, com o sarcasmo e com o vinho e com os mil filmes que eu nunca vi. mas isso era antigamente, quando eu nos imaginava. na realidade não é bem assim e não é nada verdadeiro nem simples. isto sou eu a (tentar) falar do amor. ou da paixão. ou da incompreensão. ou da sensibilidade. nem eu sei bem. sei que quando era pequena imaginava que aos vinte anos já seria uma mulher a sério. mas depois olho para ti e vejo que não sou mulher nem o serei tão cedo. olho-te com os mesmos olhos de criança admirada. na minha imaginação infantil o correcto era queres-me proteger para sempre. a alice dizia que "vocês querem uma rapariga que se pareça com um rapaz. querem protegê-la..." mas se calhar o patrick não vos conhecia assim tão bem. eu não preciso de protecção. mas era assim que devia ter sido e não foi. nós já fomos diferentes. já fomos tanto mais não sendo nada. agora parece que já passámos tudo e não sobrou uma única coisa verdadeira a que me possa agarrar. e continuo sem perceber porque é que, se isto é tudo tão confuso, continuo a ver pessoas felizes nos transportes públicos. sabes, quando ela lhe adormece no ombro e coisas assim, foleiras e simples. nós até merecíamos ser assim. mas é tudo vazio, insignificante, sabes? eu sei que sabes. mas não percebes. nem eu percebo. mas sei que não está correcto tudo isto.
"À minha volta reprovava-se a mentira, mas fugia-se cuidadosamente da verdade." (Simone de Beauvoir)
"À minha volta reprovava-se a mentira, mas fugia-se cuidadosamente da verdade." (Simone de Beauvoir)
sexta-feira, abril 30, 2010
terça-feira, abril 27, 2010
Diz que é saudável.
Chateada, irritada com a greve dos comboios e impossibilitada de ir até às aulas, peguei no cão e fui dar um passeio de duas horas pelo paredão.
De repente, a vida pareceu-me tão pura e bela e simples... Como se eu fosse pequena outra vez (Não resisti. Até comprei um Perna de Pau). As pessoas eram as mais variadas e engraçadas. De velhos a putos, a chungas e betinhas de collants com 30 graus na rua...
Es donos dos cães?Ah como eu tinha saudades dessas pessoas com quem as conversas são tão simples ("Que idade tem?", "É um ele ou uma ela?", "Não se preocupe, ele não morde"). E os casais velhinhos que se sentam à beira-mar? Parecem estar juntos há mil anos e continuam felizes. E a típica imagem do pai a ensinar o filho a andar de bicicleta? E os turistas com a tradicional sandália e meia branca? E as pessoas que, tal como eu, ficaram presas pela greve e ficaram-se pela esplanada a beber a bela da imperial? Tudo isto junto, mais o pôr-do-sol, mais o anoitecer, mais o meu querido Sunnie a fazer uma birra descomunal para ir à àgua ("Não podes bébé, tiveste agora uma otite...").
E sim, a vida é bela. É maravilhosa. E.... coiso.
De repente, a vida pareceu-me tão pura e bela e simples... Como se eu fosse pequena outra vez (Não resisti. Até comprei um Perna de Pau). As pessoas eram as mais variadas e engraçadas. De velhos a putos, a chungas e betinhas de collants com 30 graus na rua...
Es donos dos cães?Ah como eu tinha saudades dessas pessoas com quem as conversas são tão simples ("Que idade tem?", "É um ele ou uma ela?", "Não se preocupe, ele não morde"). E os casais velhinhos que se sentam à beira-mar? Parecem estar juntos há mil anos e continuam felizes. E a típica imagem do pai a ensinar o filho a andar de bicicleta? E os turistas com a tradicional sandália e meia branca? E as pessoas que, tal como eu, ficaram presas pela greve e ficaram-se pela esplanada a beber a bela da imperial? Tudo isto junto, mais o pôr-do-sol, mais o anoitecer, mais o meu querido Sunnie a fazer uma birra descomunal para ir à àgua ("Não podes bébé, tiveste agora uma otite...").
E sim, a vida é bela. É maravilhosa. E.... coiso.
sábado, abril 24, 2010
$&%#")/&$
Não aconselhável a pessoas que sofrem de doenças cardíacas, sistema nervoso fraco, sensibilidade verbal... Aliás não aconselhável a qualquer pessoa normal.
Segue-se.
19 anos neste mundo e continuo a ficar surpreendida cada vez que me deparo com anormalidades de carácter educacional. Ou seja, quando vejo criaturas (se é que se pode dar o mesmo nome a uma girafa e a um ser humano execrável) mal-educadas que devem ter tido falta de amor na infância/adolescência/qualquer outra etapa de crescimento. Não sei, minhas bestas, o que é que vos falta, o que é que vos fode o juízo ou qual outro problema é o vosso. Não é desculpa. Todos temos uma vida bué fodida, meu, todos temos os dramazinhos existênciais e todos sofremos de falta de dinheiro e 50% de nós (e com isto refiro-me à população feminina mundial) sofremos de mau-humor/dores/vontade de mandar toda a gente para o caralho, uma vez por mês. Não é desculpa. Para nada.
Ah e tal, vivemos em democracia, somos todos amigos, somos todos bué da artistas e temos personalidades complicadas, no facebook gostamos todos uns dos outros e a hierarquia é uma coisa ultrapassada do tempo das nossas trisavós (essa espécie extinta). O caralho, meus amores. O caralho! Lamento imenso se as vossas queridas mamãs não vos davam sopa de legumes quando eram crianças, lamento mesmo se ninguém vos ensinou a diferença entre uma conversa de café com os vossos amigos e com o vosso superior.
Irrita-me. Irrita-me profundamente. Aliás, minto. Não me irrita. Os olhos saem-me das órbitas quando vejo o dedinho do meio (geralmente enfeitado com um anelzinho da moda) apontado não a um cabrão que vos deve ter feito a vida negra ou a uma puta de merda com o rabo à mostra por baixo de um cinto (perdão, saia) que vos deve ter roubado o namorado (esses sim, podem merecer não só o dedo do meio, mas o punho todo bem fechado num murro directo na tromba), mas a um colega de trabalho, um professor, um superior, seja quem for que não os supra-citados. Fico realmente fodida quando vos vejo a falar de profissionalismo quando nem ideia fazer do significado desta palavra. Não sabem. Tirem a porra do cavalinho da chuva. Não sabem. Ainda não vos passou a puberdade (sim, ainda têm a cara cheia de borbulhas) e já se acham donos do mundo? Sim, meus meninos, antes de nós nascermos já havia gente a trabalhar e a fazer coisas. Por nós. E o respeitinho é uma coisa bonita. Não conhecem? Pois, é uma pena. Experimentem ler qualquer coisa para além dos panfeltos do Taste of India.
O caralho que vos foda. Chamem-me moralista. Chamem à vossa vontade. Mas fodem-me o juízo e acabo o meu Sábado a escrever sobre vocês e para vocês, criaturas banais, básicas e pseudo.
Segue-se.
19 anos neste mundo e continuo a ficar surpreendida cada vez que me deparo com anormalidades de carácter educacional. Ou seja, quando vejo criaturas (se é que se pode dar o mesmo nome a uma girafa e a um ser humano execrável) mal-educadas que devem ter tido falta de amor na infância/adolescência/qualquer outra etapa de crescimento. Não sei, minhas bestas, o que é que vos falta, o que é que vos fode o juízo ou qual outro problema é o vosso. Não é desculpa. Todos temos uma vida bué fodida, meu, todos temos os dramazinhos existênciais e todos sofremos de falta de dinheiro e 50% de nós (e com isto refiro-me à população feminina mundial) sofremos de mau-humor/dores/vontade de mandar toda a gente para o caralho, uma vez por mês. Não é desculpa. Para nada.
Ah e tal, vivemos em democracia, somos todos amigos, somos todos bué da artistas e temos personalidades complicadas, no facebook gostamos todos uns dos outros e a hierarquia é uma coisa ultrapassada do tempo das nossas trisavós (essa espécie extinta). O caralho, meus amores. O caralho! Lamento imenso se as vossas queridas mamãs não vos davam sopa de legumes quando eram crianças, lamento mesmo se ninguém vos ensinou a diferença entre uma conversa de café com os vossos amigos e com o vosso superior.
Irrita-me. Irrita-me profundamente. Aliás, minto. Não me irrita. Os olhos saem-me das órbitas quando vejo o dedinho do meio (geralmente enfeitado com um anelzinho da moda) apontado não a um cabrão que vos deve ter feito a vida negra ou a uma puta de merda com o rabo à mostra por baixo de um cinto (perdão, saia) que vos deve ter roubado o namorado (esses sim, podem merecer não só o dedo do meio, mas o punho todo bem fechado num murro directo na tromba), mas a um colega de trabalho, um professor, um superior, seja quem for que não os supra-citados. Fico realmente fodida quando vos vejo a falar de profissionalismo quando nem ideia fazer do significado desta palavra. Não sabem. Tirem a porra do cavalinho da chuva. Não sabem. Ainda não vos passou a puberdade (sim, ainda têm a cara cheia de borbulhas) e já se acham donos do mundo? Sim, meus meninos, antes de nós nascermos já havia gente a trabalhar e a fazer coisas. Por nós. E o respeitinho é uma coisa bonita. Não conhecem? Pois, é uma pena. Experimentem ler qualquer coisa para além dos panfeltos do Taste of India.
O caralho que vos foda. Chamem-me moralista. Chamem à vossa vontade. Mas fodem-me o juízo e acabo o meu Sábado a escrever sobre vocês e para vocês, criaturas banais, básicas e pseudo.
terça-feira, abril 06, 2010
O ontem chegou de repente.
De novo é Primavera. Chega uma nova estupidez para substituir a que passou.
Kobayashi Issa
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